Historial da Cidade do Huambo
A compreensão do historial da cidade do Huambo passa necessariamente pela compreensão da História Geral de Angola.
Foi em 1482 que se realizam os primeiros contactos entre os portugueses e os africanos na pessoa dos habitantes do reino do Congo.
A partir destes contactos a progressão dos portugueses no actual território angolano realiza-se sobretudo ao longo da costa marítima atlântica.
Em 1575, funda-se a cidade de Luanda por Paulo Dias De Novais.
Em 1617, funda-se a cidade de São Felipe de Benguela, concretamente na Catumbela.
Em 1680 e 1685, fundam-se respectivamente os presídios de Caconda e Quilengues.
Até a esta data o interior do planalto central era desconhecido as autoridades administrativas portuguesas.
Os factos atrás referidos constituíram o passo fundamental para a penetração ao interior do Planalto Central.
Em 1770/71 fixa-se o primeiro posto avançado de ocupação na região do Bailundo, na pessoa de um regente agrícola.
Com a fixação do posto avançado de ocupação do Bailundo e com a criação dos presídios de Caconda e Quilengues a penetração ao interior tornou-se mais facilitada.
De recordar aqui a acção desempenhada pelas frotas dos carros dos Boeres que partindo do litoral, passando pelas áreas anteriormente referidas sulcavam o planalto central rumo ao leste a procura dos produtos então em voga que são: a cera, borracha, o marfim e outros. Esta motivação comercial e económica também contribuiu para o conhecimento do planalto central.
A grande acção da ocupação e fundação da cidade do Huambo, surge precisamente da sequência das guerras realizadas sobretudo em 1902.
Em 1902, surge uma insurreição na região do Bailundo que obrigou o então Governador-geral de Angola o General Francisco Higino Cabral de Moncada, organizar uma expedição militar composta por três colunas: a primeira a coluna de Libolo, comandada pelo capitão Pais Brandão, que passando por Caiombe, Tchimbula( Quibula) e Soque, atinge a região do Bailundo e na sequencia de vários Combates desbarata as forças de Calandula, comandadas por Mutu Ya Kevela, e este refugia-se a oitenta quilómetros do bailundo na área do Bimbi, onde é destronado em 1904, pelos oficiais da coluna do norte comandadas por Romeira de Macedo. E assim, o Bailundo fica definitivamente submisso as autoridades portuguesas. Neste entretanto, prosseguia a coluna do sul comandada pelo capitão Joaquim Teixeira Moutinho que partindo de Benguela passa por Caconda recebe o reforço da Cavalaria dos Boeres e Camussequeles rumo a região do Huambo. Chegada a coluna na localidade do Cuíma monta o posto avançado para a penetração nas Ombalas do Huambo, do Nganda La kawe e posteriormente no Kandumbu.
Aos 19 de Agosto de 1902, na sequência de fortes combates morre o grande soba Livongue da Ombala do Huambo, mais de quatrocentas cabeças de gado são recuperadas pela coluna do sul e a Ombala cai nas mãos dos portugueses.
Tomada que estava a grande Ombala do Huambo, a coluna ruma para as pedras de Nganda La Kawe, e fortes combates lá se travam e aos 9 de Setembro do mesmo ano (1902) as monolíticas barreiras dos nativos caiem para as mãos da coluna do sul.
Os sobreviventes da ombala do Huambo e os das pedras de Nganda la Kawe refugiam-se muitos deles na grande Ombala de kandumbu.
A coluna apercebendo –se de que nas pedras de Kandumbu haviam forças nativas a sua espera, a coluna nada mais faz senão rumar para lá e fazerem uma grande guerra contra os nativos.
Várias tentativas foram feitas mas sem sucesso. As forças de Ndala Kandumbu eram tão fortes que não era fácil infringir uma derrota sem resistência. De ambas as partes registou-se inúmeras perdas de vida. Desfeitas todas as estratégias que Ndala utilizava, os portugueses conseguem romper o cerco e penetram na Ombala lançando bombas mortíferas conhecidas pelos mais velhos de « atenda oKandumbu».
Muitas vitimas a registar em ambas as partes. Ndala depois disso refugia-se junto de uma pedra que não dista mais do que 3 Km. Apercebendo-se do sofrimento e mortes do povo, preferiu vir entregar-se e assim terminou a sua história como defensor do seu povo e da sua Ombala.
Tomada a Ombala do Ombalundu pelas tropas de comandante tenente Pais Brandão; Wambu, Nganda La Kawe e finalmente o Kandumbu, nada mais restava aos portugtueses senão a consolidação das vitorias, pacificando outras regiões de possíveis acções dos inimigos como o Sambo e Moma.
É nesta sequência que surge em Outubro do mesmo ano, a construção do Forte da Quissala também conhecido por Forte Cabral de Moncada, que não só servia para homenagear o organizador da expedição militar que se saiu vitoriosamente, o general Francisco Higino Cabral de Moncada, como também o Forte servir como espaço de segurança das tropas e ponto de partida para eventuais acções que o nativo possa arquitectar.
É este forte que alberga os serviços do conselho administrativo evoluindo para a administração municipal.
O Forte da Quissala é por excelência o Berço da Cidade do Huambo.
A fundação da cidade do Huambo, além das razões históricas de expansão da administração colonial portuguesa torna-se importante sublinhar aqui alguns factos adjacentes:
Durante a governação de Paiva Couceiro como Governador de Angola(1909), realizaram-se na região do Huambo estudos de solo, clima e água que levaram a conclusão de que Huambo, reunia condições para nele se lançar uma agricultura capaz de sustentar a província. Esta é a razão da criação da granja, actual estufa fria como espaço de estudos dos solos e experimentação de algumas sementes.
A região do Huambo reunia um clima favorável para a acolher a força excedentária portuguesa. A região do Huambo se constitui numa bacia hidrográfica capaz de influenciar as actividades de irrigação agrícola, bem como de captação de fontes de energia(barragem do Kuando).
O Huambo, constitui o centro de toda a rede de comunicação terrestre. Para o Huambo acorrem todas as vias de comunicação terrestre. Estes estudos foram realizados a mando do Governador-geral de Angola o Sr. Pais Brandão.
Os técnicos do caminho de ferro de Benguela tiveram um papel muito importante não só no avanço da linha férrea como também na criação da própria cidade do Huambo. É graças aos estudos feitos pelos técnicos do caminho de ferro de Benguela e pelo exímio dirigente Paiva Couceiro que o general José Mendes Ribeiro Norton de Matos se baseou para criar através da portaria 1040 de 8 de Agosto de 1912 a cidade do Huambo, a qual ele próprio inaugurou numa casota de madeira para o efeito construída, ali nas imediações do pica-pau a 21 de Setembro de 1912, data que apita pela primeira vez o comboio do CFB, com outras individualidades.
Historial do Município do Longonjo
O Longonjo é uma região que foi descoberta pelos colonos Portugueses, cuja primeira casa comercial pertenceu ao português Adriano Lourenço Maia, que pelo facto de se dedicar à venda de entre outros artigos, missangas, a população alcunhou-o por “Kamota” que em umbundo significa missanguinha assim como a sua própria residência.
Esta Vila passou a chamar-se de Longonjo, pela sua proximidade da pequena montanha denominada “longondjo”, localizada a cerca de três quilómetros a norte da Vila, um local onde os viajantes que se dirigiam à Benguela descansavam e tiravam cascas das árvores denominadas “ongondjo”, utilizadas, na época, como objecto de transportação de mercadorias do interior do país para o litoral e vice-versa.
No momento da abertura das estradas e do caminho-de-ferro, o Ongondjo passou também a servir para a transportação de brita.
O Município do Longonjo tem uma superfície de 2.915 quilómetros quadrados, cujos limites constam da Portaria 18.137/A de 13 de Dezembro de 1971, publicado no Boletim Oficial nº 290/71, I Série, suplemento e reconfirmados pelos Despachos nº 4 e 5/99 de 18 de Janeiro do Governador da Província do Huambo.
O Município do Longonjo dista a 64 quilómetros a Oeste da cidade capital da Província do Huambo, localizando-se entre os Municípios da Kaála a Este, a Oeste o do Ukuma, a Nordeste com o Município da Ekunha, a Sul com a Província da Huíla e a Sudeste com a Província de Benguela.
O clima do Município do Longonjo é tropical húmido com duas estações, sendo a chuvosa, mais longa que chega a durar sete meses e a seca com duração de cinco meses.
Os principais recursos naturais existentes no Longonjo são o fosfato, manganês cobre, ouro e terras raras (Neodímio e Praseodímio) todos em estado virgem.